Muito importante para todos os que lerem as postagens: por vezes estarei falando sério, postando opiniões próprias. Outras vezes estarei brincando com opiniões que poderiam ser minhas, mas não são. E por vezes postarei material totalmente fictício, frutos da imaginação e talvez um pouco influenciados pelas experiências acumuladas ao longo dos anos.
Distinguir o que é realidade e o que é ficção fica a cargo de cada um.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Hora

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Não importa o quanto sejamos bravos, nunca estaremos preparados para o momento final. Para a morte. A procura de religiões muita vezes representa um meio de lidar com a dor – da perda de um ente amado próximo ou mesmo de encarar a derradeira verdade. Mas seja como for, o ser humano é apegado demais à vida.
Foi no início do inverno que Carolina sentiu as primeiras dores. Em sua juventude, foi uma mulher de fibra, à frente de seu tempo. Ainda cedo ficou órfã. Juntamente de sua irmã menor, foi para um orfanato público. Deus, como Carolina odiava aquele lugar. Quando moça, durante o curso de magistério, sentiu aquelas mesmas dores. Lembrava-se perfeitamente. Pareciam cólicas, como se facas atravessassem o interior de sua barriga deixando cortes extremamente sensíveis. Agora, muitos anos depois, no auge dos seus oitenta e cinco anos, as facas afiadas e pontiagudas voltaram a dilacera-la por dentro.
A manhã, ainda fria, não era nada convidativa. A geada no patio da casa era a prova visível do frio que persistia aos primeiros raios de sol. Ainda assim, com frio e com dores, Carolina decidiu sair da cama. As dores eram familiares. Já experimentara algo assim antes. E esperava resolver a situação como da outra vez: com um bom e forte chá. Sentou na cama, botou as chinelas e levantou-se para vestir seu chambre de chifom que ficava convenientemente colocado sobre o encosto de uma cadeira antiga de estofado aveludado ao lado da cama. A um piscar de olhos, acordou na cama do hospital.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hobbit Quest: A Compra do Monitor de LCD

Shopping Centers são verdadeiros labirintos. A busca de qualquer coisa dentro dessas armadilhas construídas meticulosamente com o intuito de capturar nosos cartões de crédito é uma aventura digna dos relatos dos melhores bardos da antiguidade.

Nestes tempos em que a tecnologia avança a passos de gigante, a necessidade de reposição de peças para computadores faz com que os mais aficcionados sofram desafios hercúleos. Sites de internet não são mais suficientes para as compras. A imersão no mundo físico, uma vez mais, vira uma necessidade em busca da melhor opção e do melhor preço.

Mas para tanto, é preciso ter a mais importante arma. Não, diabos, não é dinheiro. Nem o cartão de crédito. Informação. Qualquer compra deve ser bem pensada, de forma a valer todo o esforço. Conhecimento do produto é fundamental.

Certa feita pedi a alguns amigos que colaborassem com o Pedrão Total e escrevessem de forma a dar vazão às suas idéias cirativas. Pois bem. Apenas o um atedeu ao pedido.

Cerca de dois meses atrás recebi um artigo sobre tecnologia. Preguiçoso, perguntei do que se tratava. A explicação veio. E não entendi bulhufas. Tive, enfim, que ler o que ele escreveu. E dessa vez aprendi algo! Apesar de ser um estilo completamene diferente das outras postagens, as informações apresentadas são valiosíssimas para os que lerem.

Eu, particularmente, não preciso ler. Preciso apenas pegar o telefone celular e perguntar direto na fonte. Mas nem todos tem essa sorte. Então, aqui vai a contribuição do Vitto.



“Bom, uma vez que eu estive buscando comprar um monitor LCD esses dias e busquei informações sobre qual seria a melhor aquisição. Posso dividir com você alguns conhecimentos que obtive, mas aviso que são noções de um completo leigo, portanto, qualquer um com alguma melhor informação, por favor me corrija.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

S.O.S.

S.O.S.

Era tudo o que a mensagem recebida por Fabricio em seu celular dizia.

S.O.S.

Fabricio recém deitara quando o seu celular, esquecido no criado mudo, vibrou subitamente, iluminando o teto do quarto com sua luz pálida. Uma mensagem durante a madrugada costuma causar preocupações, mas aquela fez com que Fabricio perdesse o sono.

Acordado, foi até a cozinha de seu pequeno apartamento JK. Precisava refletir aquela mensagem. Abriu sua geladeira General Eletric velha de cor azul – herança de uma tia avó – e pegou uma lata de cerveja. Praguejou contra a geladeira, incapaz de gelar a cerveja.

Sentou-se à mesa da cozinha em um banco de madeira, desconfortável para um homem de um metro e noventa e cinco como ele, e serviu a cerveja – ele jurava que estava morna – em uma xícara suja esquecida ali desde o café da manhã.

S.O.S.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Gauchos das Sombras - Cap. 11: Despertar

O calor fustigante, persistente, subitamente deu lugar a uma tormenta de verão. Nada incomum, aliás. Mesmo nos dias atuais, Aline impressionava-se com a força dos temporais que se abatiam sobre o Rio Grande do Sul após dias de extremo calor.

Desde a independência, missões de sabotagem de comícios politicos contra a ordem militar consumiam suas energias. Aline chegara de sua última missão e foi direto para casa. No apartamento de Aline Straussmann, situado no Quarteirão Militar, no Nivel Superior do bairro Higienópolis, as janelas, todas elas revestidas com película de proteção balística, estavam fechadas para manter do lado de fora a chuva, tóxica devido à poluição. Chegou ensopada. Tinha apenas alguns minutos antes que que sua pele passasse a absorver as toxinas cancerígenas. Apesar do alívio no calor, a chuva era tão ou mais perigosa quanto o sol.

Após um banho revigorante, ainda nua, jogou-se na cama para um merecido descanso. Os lençóis de linho ofereciam uma sutileza peculiar no ambiente frio e estéril do apartamento de Aline. Seu corpo de pele macia e de curvas provocantes apresentava marcas típicas a todos os militares de participação ativa na guerra. Mesmo ela, uma oficial das sombras, possuía “medalhas”, incapazes, contudo, de tirar-lhe a beleza e a sensualidade.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gauchos das Sombras - Cap. 10: Dia da Independência

O calor que se abateu em Porto Alegre nas ultimas semanas era pavoroso. Jamais a Unidade de Metereologia havia registrado temperaturas tão altas na capital dos gaúchos. As árvores sobreviviam apenas nas regiões protegidas por escudos de ozônio. Na Extrema Zona Norte, a vegetação queimava como pasto seco. Durante a onda de calor – atribuída por cientistas a uma erupção solar – a cidade ganhava vida apenas à noite.

Getúlio esperou o sol se por para sair de casa e procurar um lugar para almoçar. Era estranho ter tempo livre, mas não passava por sua cabeça reclamar da folga recebida. Após tanto tempo usando uniformes, a roupa civil parecia desconfortável. O tênis Adidas, a camiseta de futebol e até mesmo suas calças jeans haviam sido fabricadas na China. Para um homem do tamanho de Getúlio, roupas chinesas eram sempre apertadas.


Caminhando a esmo pelo Nível Inferior da Avenida Farrapos, lembrou dos momentos com seu pai e de como ele contava que um dia a cidade tivera apenas um andar. Era estranho imaginar grandes centros urbanos, como Porto Alegre, com mais de cinco milhões de habitantes, sem a construção de níveis. Na prática, alguns bairros inteiros passaram a ser subterrâneos na medida em que a cidade crescia cobrindo o céu. O Nível Inferior, portanto, guardava a antiga Porto Alegre.

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